sábado, 29 de setembro de 2012

Urgente ! Precisa-se: Um Profeta Para Pregar Aos Pregadores

Precisa-se: Um Profeta Para Pregar Aos Pregadores

Tentar fazer uma avaliação de João Batista pelos modernos padrões de espiritualidade seria o mesmo que tentar medir o sol com uma fita métrica. No Jordão, a multidão ansiosa indagou a respeito do recém-nascido:
— Que virá a ser, pois, este menino?
E a resposta foi:
— Ele será grande diante do Senhor.
Hoje em dia, a palavra “grande” se acha muito desgastada, pois confundimos proeminência com importância. Naquela época, Deus não estava à procura de sacerdotes, nem de pregadores, mas de homens. E havia muitos homens, como hoje, mas eram todos “pequenos” demais. Ele precisava de um grande homem para uma grande missão.
João Batista possuía pelo menos um atributo que o qualificava para o sacerdócio, mas tinha todos os requisitos necessários para tornar-se um profeta. Antes de sua vinda, o povo vivera quatrocentos anos de trevas, sem um raio da luz profética; quatrocentos anos de silêncio, em que não se ouvira o brado: “Assim diz o Senhor”; quatrocentos anos de uma constante deterioração espiritual. E assim Israel, a nação escolhida por Deus, estava imersa em holocaustos, cerimônias e circuncisões, fazendo expiação com rios de sangue de animais, e tendo por mediador uma classe sacerdotal rica e saciada.
Mas o que um exército de sacerdotes não conseguiu fazer em quatrocentos anos, foi feito em seis meses por um homem “enviado por Deus”, moldado por Deus, cheio de Deus e incendiado por Deus, João Batista.
Concordo com E. M. Bounds quando diz que Deus leva vinte anos para formar um pregador. A preparação de João foi feita na divina Universidade do Silêncio. Deus matricula nela todos os seus grandes homens. Embora Cristo tenha feito sua interpelação a Paulo — um fariseu orgulhoso, legalista, de intelecto privilegiado e linhagem invejável — na estrada de Damasco, ele precisou passar três anos na Arábia para se esvaziar de tudo isso, e desaprender o que aprendera, para que finalmente pudesse afirmar: “Deus revelou-se em mim”. Deus pode preencher num minuto o que nós levamos anos para esvaziar. Aleluia!
Jesus disse: “Ide”, mas também ordenou: “Permanecei... até que”. Aquele que resolver passar uma semana fechado num aposento, a pão e água, sem nenhuma leitura a não ser a Bíblia, sem companhia alguma a não ser a do Espírito Santo, ou sofrerá um colapso nervoso ou terá tal experiência com Deus que sua vida e ministério serão revolucionados. Depois disso, como Paulo, ele será conhecido no inferno.
João Batista ficou na divina Escola do Silêncio, o deserto, até o dia em que se manifestou ao povo. E quem poderia estar mais bem preparado para aquela tarefa de despertar de seu sono carnal aquela nação entorpecida, do que aquele profeta queimado de sol, batizado com o fogo e moldado no deserto, e enviado por Deus? Nos olhos, ele trazia a luz de Deus, na voz a autoridade divina e na alma o mesmo ardor de Deus. Quem — pergunto eu — poderia ser maior do que João? É verdade que ele “não fez nenhum sinal”, isto é, não ressuscitou nenhum morto. Mas fez muito mais: ergueu uma nação morta.
E esse profeta vestido de couro, com um ministério de curta duração, era tão ardoroso e sua luz tinha tal brilho, que os que ouviam suas mensagens fervorosas, candentes, iam para casa e passavam noites insones até que sua alma se quebrantava em arrependimento. Entretanto, tinha uma doutrina diferente: sem holocaustos, sem cerimônias, sem circuncisão; tinha uma dieta estranha: sem vinhos, nem banquetes; tinha roupas estranhas: sem filactérios, nem vestes farisaicas.
É verdade, mas João era grande! As grandes águias voam sozinhas; os leões maiores caçam sozinhos; as almas grandiosas vivem sozinhas, a sós com Deus. É muito difícil suportar tal solidão; é impossível apreciá-la, a não ser acompanhado de Deus. Realmente João conseguiu ser grande. Ele foi grande em três aspectos: grande na sua fidelidade ao Pai (preparou-se durante tanto tempo para pregar por tão curto período); grande em sua submissão ao Espírito (andava ou parava de acordo com as orientações dele); grande nas afirmações que fez sobre o Filho (apontando Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo”, apesar de não ter-se avistado com ele antes).
João era uma “Voz”. A maioria dos pregadores não passa de ecos, pois, se prestarmos bem atenção, saberemos dizer quais os livros que andaram lendo, e notaremos que citaram muito pouco do Livro. E hoje, só uma Voz, voz de um profeta enviado do céu para pregar aos pregadores, conseguiria despertar o coração dos homens. Só quem tem coração quebrantado é capaz de levar outros ao quebrantamento. Irmãos, nós temos equipamentos, mas não temos poder; temos ação, mas não unção; barulho, mas não avivamento. Somos dogmáticos, mas não dinâmicos!
Todas as eras têm iniciado com fogo, e todas as vidas, sejam de pregadores ou de prostitutas, vão findar em fogo — o fogo do juízo para alguns, o fogo do inferno para outros. Wesley diz o seguinte em um de seus hinos:
“Salvemos as almas do fogo do inferno,
aliviando-lhes o tormento com o sangue de Cristo”.
Irmãos, temos só uma missão: salvar almas, e, no entanto, elas estão perecendo. Pensemos nisso! Existem milhões, centenas de milhões, talvez milhares de milhões de almas eternas que precisam de Cristo. E sem a vida eterna elas irão perecer. Ah, que vergonha para nós, que horror, que tragédia! “Cristo não desejava que ninguém se perdesse”. Irmãos pregadores, hoje há milhões e milhões de pessoas seguindo para o fogo do inferno, porque nós perdemos o fogo do Espírito!
Esta geração de pregadores é responsável pela atual geração de pecadores. Diante das portas de nossas igrejas passam todos os dias milhares de pessoas que não foram salvas porque ninguém lhes pregou, e ninguém lhes pregou porque ninguém as amou. Dou graças a Deus pelo grande trabalho que é realizado nos países estrangeiros. Contudo é muito estranho que aparentemente tenhamos maior preocupação por aqueles que se encontram do outro lado do mundo, do que com os que moram do outro lado da rua. Apesar de todas as nossas campanhas e nosso evangelismo de massas, o número dos que são salvos se limita a centenas, enquanto que, se cair uma bomba atômica por aqui, irão aos milhares para o inferno.
Não tem fundamento a afirmação feita por alguns de que a pecaminosidade atual não tem paralelo em outra época da História. Jesus disse o seguinte: “Assim como foi nos dias de Noé, será também nos dias do Filho do homem”. A descrição de como foi nos dias de Noé encontra-se em Gênesis 6.5: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”. Então o mal era total, “todo o desígnio”; era contínuo, “continuamente mau”. Era assim, e assim é. Hoje o pecado está recebendo uma fachada de embelezamento, está sendo popularizado, entrando por nossos ouvidos através dos rádios, pelos nossos olhos através da televisão e das capas de revistas. Os membros de igreja se acham saturados das pregações e cansados dos ensinos que ouvem, e estão saindo dos cultos da mesma forma como entram — sem visão e sem fervor algum. Ó Deus, envia para esta geração dez mil João Batistas para arrancar os curativos que os moralistas e políticos colocaram sobre o pecado das nações!
Assim como Moisés não pôde deixar de notar a sarça que ardia, assim também ninguém vai-se enganar quando vir um homem em chamas. Deus vence um fogo com outro fogo. Quanto mais fogo houver nos púlpitos, menos pessoas haverá no fogo do inferno.
João Batista foi um homem diferente com uma mensagem diferente. Assim como o réu acusado de assassinato empalidece ao ouvir o juiz pronunciar a sentença: “Culpado!” assim também aquele povo ouviu João clamar: “Arrependei-vos!” E esse clamor ecoou nos recessos de sua mente, despertando lembranças, fazendo pesar a consciência e levando-os a buscar o batismo, dominados pelo terror. E após o Pentecostes, a pregação de Pedro, que acabara de receber o batismo de fogo do Espírito, abalou os ouvintes de tal modo que eles clamaram:         “Que faremos, irmãos?”
Imaginemos que alguém lhes respondesse: “Assine este cartão de membro! Passe a freqüentar esta igreja regularmente. Dê sempre os dízimos”.
Não! Mil vezes não!
Inspirado pela unção do Espírito, João dizia: “Arrependei-vos!” E eles se arrependeram. Mas arrepender não é simplesmente derramar algumas lágrimas no altar. Também não é ter remorso, nem emoção, nem passar por uma reforma pessoal. Arrepender-se é mudar de idéia com relação a Deus, ao pecado e ao inferno!
As duas maiores forças da natureza são o vento e o fogo, e as duas se uniram no dia de Pentecostes. E aquele abençoado grupo reunido no cenáculo, como o vento e o fogo, se tornou irresistível, incontrolável e imprevisível. E o fogo que ardia neles extinguiu a violência do fogo; dele saíram chamas missionárias, centelhas que incendiaram o coração de mártires, e atearam o fogo do avivamento.
Há cerca de duzentos anos atrás Carlos Wesley cantava:
“Ah, que o fogo sagrado possa começar a arder em mim.
E queime a escória dos desejos vis
E faça os montes ruir”.
E o Dr. Hatch levantou o seguinte clamor:
“Sopra em mim, fôlego divino,
Até que me torne inteiramente teu.
Até que o que há de terreno em mim
Arda com o fogo dos céus”.
O fogo do Espírito Santo destrói, purifica, aquece, atrai e enche de poder.
Existem alguns crentes que não sabem precisar a data em que foram salvos. Mas ainda não conheci ninguém que tenha sido batizado com o Espírito Santo e com fogo que não saiba dizer o momento em que isso aconteceu. São esses homens que abalam os povos e os conquistam para Deus, como Wesley, que nasceu do Espírito, foi cheio do Espírito e viveu sempre no Espírito.
Os automóveis só rodam depois que recebem a centelha da ignição; as pessoas que não se movem nem se comovem são as que não receberam ainda o fogo.
Amados irmãos, a Bíblia fala de uma sentença mais pesada para os pregadores. Para eles haverá “maior juízo” (Tg 3.1). Pode ser até que quando eles estiverem perante o trono do julgamento divino, os pecadores lhes digam:
“Pregador, se o senhor tivesse o fogo do Espírito, eu agora não estaria indo para o fogo do inferno”.
Como Wesley, eu também creio que os crentes precisam experimentar o arrependimento. A promessa do Pai é para você. Então agora, onde quer que esteja, numa missão no estrangeiro, numa casa rica e confortável ou num gabinete pastoral, se estiver sentindo-se quebrantado, pronto a render as armas, ajoelhe-se e faça suas as palavras da seguinte oração:
“Manda, Senhor, o fogo,
Para fortalecer meu coração,
E eu viva para salvar o mundo que está perecendo.
Em teu altar agora deposito
Minha vida, meu ser;
Em sinal de aceitação dessa minha oferta, peço-te,
Envia sobre ela o fogo divino!”
— F. de L. Booth-Tucker.
Hoje temos uma igreja fria, num mundo frio, porque os pregadores são frios. Manda teu fogo, Senhor!

“Não usarei outro barrete senão o de mártir, envermelhado pelo meu próprio sangue”.
— Savonarola, ao recusar a mitra de cardeal.
“A pregação apostólica não se caracteriza por uma fala impecável, nem por floreados literários, nem por expressões inteligentes, mas opera através de demonstração do Espírito e de poder”.
— Arthur Wallis.
“Há três situações que eu gostaria de ter vivido. São elas: ter conhecido Jesus pessoalmente; ter visto o Império Romano em seu esplendor e ter ouvido a pregação de Paulo”.
— Agostinho.
“De bom grado vou confirmar com meu sangue a verdade sobre a qual tenho escrito e pregado”.
— João Huss, quando estava na fogueira para ser morto.
“O principal requisito de um missionário não é, como temos ouvido tantas vezes, ter paixão pelos perdidos, mas ter amor por Cristo”.
— Vance Havner. 
Extraido do livro:
 “Por que Tarda  o Pleno Avivamento?”
Leonard Ravenhill


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cinco pontos preocupantes na igreja protestante moderna



Cinco pontos preocupantes na igreja protestante moderna
por: Sinclair Ferguson

No texto abaixo,  Sinclair Ferguson responde a pergunta: “o que o preocupa na igreja protestante moderna?”. Ferguson aponta (1) o pragmatismo, (2) o culto à personalidade, (3) a falsa qualidade do culto, (4) a mudança da era do pregador para a era do líder de louvor e do conselheiro e (5) a falta de oração. Apesar de Ferguson apontar a realidade estadunidense no qual ele está inserido, cremos que os pontos são pertinentes para a igreja brasileira.
   
 Reflita....
Eu tento não me concentrar tanto ou por muito tempo nas coisas desanimadoras que vejo, simplesmente porque penso que devo ser cuidadoso para não me tornar ressentido e cínico. Por ser escocês, já tenho tendência nativa suficiente para ser melancólico! Mas, é verdade que há muitas coisas para causar preocupação. A passagem exposta na minha ordenação ao ministério do Evangelho foi 2 Coríntios 4:1-6, e tem me servido como um guia desde então. Paulo diz que ele renunciou não somente os caminhos vergonhosos ou dissimulados, mas que ele também não “faz” algo simplesmente porque “funciona”. Em vez disso, ele expõe a verdade, e o faz de tal forma que a verdade do Evangelho e sua própria integridade estejam claras. Por outro lado, nós nos tornamos uma igreja muito pragmática; temos uma sede pelo tamanho (maior é visto como melhor.)
Nós também temos semeado um culto à personalidade e ao guru. Tenho visto materiais do comitê de indicação pastoral declarando sem rodeios que eles precisam de um “comunicador extraordinário” para ser seu ministro. Muita da nossa filosofia tem de fato se tornado muito mundana.
Uma evidência recente disto está na tranquilidade em que alguns cristãos hoje falam sobre “a qualidade do nosso culto.” Mas ao contrário de seus antepassados, eles cultuam somente uma vez no domingo. Muitos pastores sabem que um culto noturno não teria muita presença por todos os tipos de razões que eu acho que não serviriam diante do Deus do universo que é digno de ser louvado e adorado, por toda eternidade! Pergunto-me o que Ele pensa da qualidade do nosso culto*.
Também me preocupa que estamos vivendo na era do líder de louvor e do conselheiro ao invés do pregador (o que fazemos e sobre o que falamos – infelizmente geralmente sobre nós mesmos – tem prioridade sobre Deus falar conosco).
Novamente, há a falta da oração e da igreja que ora. Para mim isto é o mais preocupante, por esta razão: Temos construído igrejas aparentemente fortes, grandes, bem sucedidas e ativas. Mas muitas de nossas igrejas nunca se congregam para orar. Ressalto: nunca! O que isso indica que dizemos sobre a vida da igreja como uma comunidade? Por outro lado, a marca do verdadeiro espírito apostólico na igreja é que nos entreguemos juntos à oração e à Palavra (Atos 6:4). Não me espanta que “crescia a palavra de Deus, e [...] se multiplicava o número dos discípulos” (Atos 6:7). Sendo assim, não deveria nos surpreender que enquanto muitas igrejas veem o crescimento, geralmente este é uma reposição de números, não de conversões. Desejo fortemente que nossas igrejas aprendam a manter as coisas principais no centro, que aprendamos a sermos verdadeiras igrejas, calorosos companheiros de oração, de ensino e ministração do Evangelho, e de amor mútuo genuíno. No final do dia, tal Igreja só precisa “ser” para que visitantes sintam que essa é uma completa nova ordem da realidade e sejam atraídos a Cristo.
Por Sinclair Ferguson. © 2012 Ligonier Ministries. Original: What Concerns You About Modern-Day Protestant Christianity?
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Avivamentos Enviados do Céu

Necessitamos de um avivamento espiritual saturado do evangelho. O último verdadeiro avivamento evangélico, do qual ainda recebemos benefícios, foi no século XVIII. Mas a realidade é esta: não haverá avivamento evangélico sem um autêntico avivamento na igreja. Por quê? Porque o instrumento que Deus usa para trazer um avivamento evangélico é a sua igreja.
Aí está o problema. A razão fundamental por que não há um avivamento evangélico é que a igreja contemporânea definha em letargia ministerial, falta de poder espiritual, ignorância bíblica e fascinações das últimas tendências. Um avivamento dado por Deus, enviado do céu, é desesperadamente necessário. Mas estamos anelantes pela graça soberana de Deus, que perscruta a alma e muda a vida, para avançarmos?
Uma avaliação honesta da igreja contemporânea revela que não estamos nem anelantes nem desejosos por um avivamento enviado do céu. Por várias razões, estamos satisfeitos com os substitutos enviados pelo homem que são inadequados e contraprodutivos e contribuem para a ineficácia da igreja contemporânea. Há um indicador infalível que demonstra se um avivamento é enviado do céu ou enviado do homem. Avivamentos enviados do homem (que não são avivamentos, e sim manipulações religiosas voltadas para o próprio homem) são caracterizados por uma preocupação com experiências pessoais momentâneas recebidas, de preferência, instantaneamente. Em contraste, um avivamento enviado do céu produz efeitos duradouros por meio de um compromisso prolongado com os meios que Deus designou para trazer avivamentos genuínos. As Escrituras e a história da igreja revelam que o que parece ser avivamento instantâneo é precedido por liderança fiel, que traz consistentemente a Palavra de Deus ao seu povo, enquanto buscam insistentemente o trono da graça em reuniões de adoração centradas em Deus.
Vemos frequentemente notáveis realizações atléticas no campo de competição, mas não vemos as horas de compromisso dedicado e disciplinado no campo prático precedendo o momento de glória. De modo semelhante, quando vemos avivamento na história e nas Escrituras, não vemos os dias, meses, anos e até décadas de liderança fiel, pregação evangélica, oração de intercessão e adoração centrada em Deus antes de irromper o glorioso avivamento. Mais profundamente, não vemos os corações desesperados do povo de Deus que compreenderam que não tinham nenhuma esperança, exceto em Cristo.
Avivamentos enviados do céu não são explosões de adoração momentâneas focalizadas em "estrelas de rock", nem são experiências efêmeras, manipuladas e sem sentido. Avivamentos enviados do céu vêm por meio de pessoas comuns que, compelidas pelo amor de Cristo, rendem tudo a Ele. O avivamento vem quando os crentes compreendem: "Sem ele, nada posso fazer", mas também: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fp 4.13).
Avivamentos autênticos são caracterizados por confissão de pecado compelida pelo evangelho, quando pecadores culpados concordam com Deus quanto ao disparate, à insanidade e à afronta de seu pecado. Crendo que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm 3.23), eles também creem que a realidade não é simplesmente que "todos" pecaram, mas que "eu mesmo sou o pecador". Com profunda convicção e plena consciência, sua confissão reconhece suas tentativas de assassinar a glória de Deus. Por isso, confessam sua traição contra Deus e se regozijam em que, pela graça de Deus, eles podem confessar o pecado e render-se a Cristo como Senhor e Salvador.
O avivamento autêntico não somente traz confissão de pecado "não fingida", mas também arrependimento sincero que revela um desejo intenso de mortificar intencionalmente o pecado e seguir com zelo a santidade. Além disso, o avivamento traz a manifestação desinibida do quebrantamento e a exultação ousada da vitória em Cristo sobre o pecado, que conduz a uma nova vida de erradicar o pecado, para seguir a obediência focalizada em Cristo.
O avivamento nos leva para as alturas do monte Sinai, onde Deus revela graciosamente o nosso pecado e nos convence da necessidade de um Salvador. Contudo, a maior de todas as maravilhas é que a obra vivificadora da graça de Deus nos leva para as alturas do monte Calvário para que vejamos, pela fé, Cristo crucificado. Ali, no Calvário, vemos o Filho de Deus suspenso entre o céu e a terra para salvar-nos de nossos pecados. Ali, no Calvário, o amor de Deus em Cristo satisfez a santidade de Deus para salvar pecadores para a glória de Deus.
Portanto, eis me aqui, Senhor. "Nada em minhas mãos eu trago, somente à cruz eu me apego." Falsos avivamentos enviados do homem, fascinados com experiências pessoais momentâneas, produzidos por capricho e manipulação, perderam seu apelo. Avivamentos enviados do céu, com seus efeitos duradouros de expandir o domínio da graça de Cristo em minha vida, em meu coração e no mundo, se tornaram meu desejo. "Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos" (Hc 3.2). Ó Senhor, aviva a tua obra.
Dr. Harry L. Reeder é o pastor principal da Briarwood Presbyterian Church em Birmingham (Alabama) e, com David Swavely, autor do livro From Embers to a Flame: How God Can Revitalize Your Church.
Tradução: Francisco Wellington Ferreira
O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

EXCLUSIVO NOVA LIÇÃO DA CPAD 4ºTRIMESTRE2012

Quarto Trimestre na Escola Dominical das Lições CPAD terá "Profetas Menores" como tema
Já está definido o tema da Revista de Jovens e Adultos produzida pela Casa Publicadora das Assembleias de Deus para o 4º Trimestre de 2012: Os Doze Profetas Menores - advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo.

Confira o tema que será estudado em cada domingo: 

Lição 1: A Atualidade dos Profetas Menores
Lição 2: Oséias - A Fidelidade no Relacionamento com Deus
Lição 3: Joel - O Derramamento do Espírito Santo
Lição 4: Amós - A Justiça Social como Parte da Adoração
Lição 5: Obadias - O Princípio da Retribuição
Lição 6: Jonas - A Misericórdia Divina
Lição 7: Miquéias - A Importância da Obediência
Lição 8: Naum - O Limite da Tolerância Divina
Lição 9: Habacuque - A Soberania Divina Sobre as Nações
Lição 10: Sofonias - O Juízo Vindouro
Lição 11: Ageu - O Compromisso do Povo da Aliança
Lição 12: Zacarias - O Reinado Messiânico
Lição 13: Malaquias - A Sacralidade da Família
 O comentarista é o Pastor Esequias Soares líder da Assembleia de Deus em Jundiai (SP) e também Presidente do Conselho de Apologética da CGADB. É formado em Apologista e Lingua e Literatura Hebraica. É professor de Teologia, Grego, Hebraico e Apologia cristã. É Conferencista. Pesquisador, Escritor. É autor de diversos livros, dentre eles, "Analisando o Divórcio à Luz da Bíblia", "Manual de Apologética Cristã", "Oséias" (Série: Comentário Bíblico)", e "Visão Panorâmica do Antigo Testamento".

www.franciscoevangelista.com
 


domingo, 15 de julho de 2012

ENTRE O PÚLPITO E A URNA

ENTRE O PÚLPITO E A URNA
São Paulo terá ao menos 15 pastores evangélicos candidatos

Igrejas evangélicas com diferentes denominações terão pelo menos 15 pastores que concorrerão a vagas na Câmara de São Paulo, segundo levantamento feito pelo UOL com base em dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
  De acordo com o tribunal, o PSDB encabeça a lista, com quatro representantes: os pastores Hideraldo Pagliarin, da Comunidade Cristã Paz e Vida, José Pagliarini Filho, da Igreja do Evangelho Quadrangular, Everson Marcos, da Igreja Quadrangular, e a missionária Edilaine Pires, da Catedral da Benção.
  “O Brasil está se tornando um país evangélico e a tendência é que os partidos se evangelizem também”, afirma Daniel Sottomaior, presidente da Atea (Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos).
  Dados do Censo Demográfico 2010, divulgados em junho pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que a população evangélica no país passou de 15,4% do total para 22,2% nos últimos dez anos e hoje contabiliza 42,3 milhões de pessoas. É a segunda religião com o maior número de adeptos no país, atrás da católica.

Caça-votos
   “Os partidos políticos querem candidatos que tenham votos. Eles pensam: ‘O que é melhor, lançar um ateu para ter 5.000 votos ou um evangélico que tenha 20 mil? ’”, afirma o vereador Carlos Apolinário (DEM), membro da bancada evangélica da Câmara de São Paulo e ligado à Assembleia de Deus.
  “Mas nem todo evangélico vota em evangélico. O dia em que evangélico votar só em evangélico vamos fazer metade da Câmara e colocar um presidente no 2º turno das eleições. Mas os partidos não têm essa consciência, acham que existe um alinhamento automático entre a fé do cidadão e a fé do político em quem ele vota”, diz Apolinário.
   Para Sottomaior, pastores que concorrem nas eleições “são um bom negócio para as legendas, que tem um candidato que não parte do zero, já tem um público que o vê como autoridade moral e intelectual, e são seus potenciais eleitores”.
   A missionária Edilaine diz que “o evangélico se conscientiza mais a cada dia". "Não basta o candidato ser evangélico, precisa ter carisma, estar próximo do fiel para conseguir o voto. O missionário que chega, abraça sem fazer acepção, está próximo, que mostra carinho por todos tem mais chance de conseguir o voto."
   Para ela, com o crescimento dos evangélicos do país, "mais partidos irão se aproximar para caminhar junto”.
   Segundo o censo, as igrejas Assembleia de Deus, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Mundial do Poder de Deus e Igreja Internacional da Graça de Deus reúnem cerca de 706 mil pessoas em São Paulo, cerca de 8% do total de eleitores. Nas eleições municipais de 2008 um vereador precisou, em média, de 25 mil votos para se eleger.

Pastores
Além dos missionários lançados pelo PSDB, o PRB aposta nos pastores Jean Madeira, que está à frente da Força Jovem Brasil, ligada à Igreja Universal do Reino de Deus (da qual seu partido é uma espécie de braço político), e Jefferson Julião.
O PP lançou candidato o pastor Edemilson Chaves, ligado à Igreja Mundial do Poder de Deus, e o PHS terá o pastor João Lisboa. O PV conta com o pastor Matusalem Cunha, da Assembleia de Deus, e o DEM com o pastor Atalaia, da Igreja Evangélica Missão Atalaia.
Participam também da corrida eleitoral por uma vaga na câmara os pastores Moisés (PSC), Claudio Rogério Modesto (PDT), o apóstolo Celso Salgueiro (PMDB), da Igreja Evangélica do Povo de Deus, o bispo Fernando de Oliveira (PHS), e a pastora Léa (PTN).

Pressão
A força dos evangélicos na política foi demonstrada em 2010, quando a então candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, precisou convocar uma reunião com pastores para dar explicações sobre o aborto e o casamento gay, consideradas flexiveis demais pelos religiosos.
Fernando Haddad (PT), candidato à Prefeitura de São Paulo, também sofreu pressão da bancada evangélica no Congresso Nacional. Em 2011, titular no Ministério da Educação, viu a tentativa de distribuição de um kit anti-homofobia nas escolas públicas --conhecido como "kit gay"--ser vetada pela presidente Dilma, após protestos da bancada evangélica.

Data: 15/7/2012 13:20:58
Fonte: UOL   / site :
http://creio.com.br/

terça-feira, 3 de julho de 2012

Subsidio da 2ªlição de domingo 8/07/12

Crente Fica Doente?
Creio em milagres. Creio que Deus cura hoje em resposta às orações de seu povo. Durante meu ministério pastoral, tenho orado por pessoas doentes que ficaram boas. Contudo, apesar de todas as orações, pedidos e súplicas que os crentes fazem a Deus quando ficam doentes, é um fato inegável que muitos continuam doentes e eventualmente, chegam a morrer acometidos de doenças e males terminais. Uma breve consulta feita à Capelania Hospitalar de grandes hospitais de algumas capitais do nosso país revela que há números elevados de evangélicos hospitalizados por todos os tipos de doença que acometem as pessoas em geral. A proporção de evangélicos nos hospitais acompanha a proporção de evangélicos no país. As doenças não fazem distinção religiosa. Para muitos evangélicos, os crentes só adoecem e não são curados porque lhes falta fé em Deus. Todavia, apesar do ensino popular que a fé nos cura de todas as enfermidades, os hospitais e clínicas especializadas estão cheias de evangélicos de todas as denominações – tradicionais, pentecostais e neopentecostais –, sofrendo dos mais diversos tipos de males. Será que poderemos dizer que todos eles – sem exceção – estão ali porque pecaram contra Deus, ficaram vulneráveis aos demônios e não têm fé suficiente para conseguir a cura?
É nesse ponto que muitos evangélicos que adoeceram, ou que têm parentes e amigos evangélicos que adoeceram, entram numa crise de fé. Muitos, decepcionados com a sua falta de melhora, ou com a morte de outros crentes fiéis, passam a não crer mais em nada e abandonam as suas igrejas e o próprio Evangelho. Outros permanecem, mas marcados pela dúvida e incerteza. Eu gostaria de mostrar nesse post, todavia, que mesmo homens de fé podem ficar doentes, conforme a Bíblia e a História nos ensinam.
1. Há diversos exemplos na Bíblia de homens de fé que adoeceram. Ao lermos a Bíblia como um todo, verificamos que homens de Deus, cheios de fé, ficaram doentes e até morreram dessas enfermidades. Um deles foi o próprio profeta Eliseu. A Bíblia diz que ele padeceu de uma enfermidade que finalmente o levou a morte: “Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer” (2Re 13.14). Outro, foi Timóteo. Paulo recomendou-lhe um remédio caseiro por causa de problemas estomacais e enfermidades freqüentes: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23).
Ao final do seu ministério, Paulo registra a doença de um amigo que ele mesmo não conseguiu curar: “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2Tm 4.20).
O próprio Paulo padecia do que chamou de “espinho na carne”. Apesar de suas orações e súplicas, Deus não o atendeu, e o apóstolo continuou a padecer desse mal (2Co 12.7-9). Alguns acham que se tratava da mesma enfermidade da qual Paulo padeceu quanto esteve entre os Gálatas: “a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto” (Gl 4.14). Alguns acham que era uma doença nos olhos, pois logo em seguida Paulo diz: “dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gl 4.15). Também podemos mencionar Epafrodito, que ficou gravemente doente quando visitou o apóstolo Paulo: “[Epafrodito] estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2.26-27).
Temos ainda o caso de Jó, que mesmo sendo justo, fiel e temente a Deus, foi afligido durante vários meses por uma enfermidade, que a Bíblia descreve como sendo infligida por Satanás com permissão de Deus: “Então, saiu Satanás da presença do Senhor e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça. Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se” (Jó 2.7-8). O grande servo de Deus, Isaque, sofria da vista quando envelheceu, a ponto de não saber distinguir entre Jacó e Esaú: “Tendo-se envelhecido Isaque e já não podendo ver, porque os olhos se lhe enfraqueciam” (Gn 27.1). Esses e outros exemplos poderiam ser citados para mostrar que homens de Deus, fiéis e santos, foram vitimados por doenças e enfermidades.

2. O mesmo ocorre na História da Igreja. Nem mesmo cristãos de destaque na história da Igreja escaparam das doenças e dos males. João Calvino era um homem acometido com freqüência de várias enfermidades. Mesmo aqueles que passaram a vida toda defendendo a cura pela fé também sofreram com as doenças. Alguns dos mais famosos acabaram morrendo de doenças e enfermidades. Um deles foi Edward Irving, chamado o pai do movimento carismático. Pregador brilhante, Irving acreditava que Deus estava restaurando na terra os dons apostólicos, inclusive o da cura divina. Ainda jovem, contraiu uma doença fatal. Morreu doente, sozinho, frustrado e decepcionado com Deus.
Um outro caso conhecido é o de Adoniran Gordon, um dos principais líderes do movimento de cura pela fé do século passado. Gordon morreu de bronquite, apesar da sua fé e da fé de seus amigos. A. B. Simpson, outro líder do movimento da cura pela fé, morreu de paralisia e arteriosclerose. Mais recentemente, morreu John Wimber, vitimado por um câncer de garganta. Wimber foi o fundador da igreja Vineyard Fellowship (“A Comunhão da Vinha ou Videira”) e do movimento moderno de “sinais e prodígios”. Ele, à semelhança de Gordon e Simpson, acreditava que pela fé em Cristo, o crente jamais ficaria doente. Líderes do movimento de cura pela fé no Brasil também têm ficado doentes. Não poucos deles usam óculos, para corrigir defeitos na vista e até têm defeito físico nas mãos.

O meu ponto aqui é que cristãos verdadeiros, pessoas de fé, eventualmente adoeceram e morreram de enfermidades, conforme a Bíblia e a História claramente demonstram. O significado disso é múltiplo, desde o conceito de que as doenças nem sempre representam falta de fé até o fato de que Deus se reserva o direito soberano de curar quem ele quiser.
Fonte: blog, o temporas! o mores!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pastorado, Erudição e Avivamento em Jonathan Edwards

Pastorado, Erudição e Avivamento em Jonathan Edwards
Por: Franklin Ferreira
No começo do século dezoito, era visível nas treze colônias – que em breve seriam conhecidas como Estados Unidos – o declínio da fé evangélica, provocado pela influência do processo colonizador, com seu subsequente aumento populacional, sucessão de guerras brutais e declínio da espiritualidade dos ministros. Em 1726, um avivamento começou a irromper nas congregações reformadas holandesas em New Jersey, com as pregações de Theodore Frelinghuysen. Pouco depois, este avivamento alcançou os presbiterianos escoceses, por meio das pregações de William Tennant, Gilbert Tennant e Samuel Davies.
A vinda do avivamento
Jonathan Edwards nasceu em 1703, único filho homem de Timothy Edwards, que era pastor congregacional em East Windsor, Connecticut. Pouco antes de completar 13 anos entrou no Yale College, em New Haven, Connecticut. Em 1720, recebeu o grau de bacharel, e aos 20 anos recebeu o grau de mestre em Artes. Em abril ou maio de 1721 experimentou a conversão: "A partir daquele tempo, comecei a ter um novo tipo de compreensão e ideias a respeito de Cristo, e da obra da redenção e do glorioso caminho da salvação através dele. Eu tinha um doce senso interior destas coisas, que às vezes vinham ao meu coração; e a minha alma era conduzida em agradáveis vistas e contemplações delas. E a minha mente estava grandemente engajada em gastar meu tempo em ler e meditar sobre Cristo; e a beleza e a excelência de Sua pessoa, e o amável caminho da salvação, pela livre graça nEle... Este senso que eu tinha das coisas divinas frequentemente e repentinamente se inflamava, como uma doce chama em meu coração; um ardor da alma, que eu não sei expressar".
Após servir numa pequena igreja presbiteriana em New York, voltou a Yale como tutor. E, em 1727, foi ordenado ao pastorado, servindo como auxiliar na congregação pastoreada por seu avô, Solomon Stoddart, no ministério de uma igreja congregacional em Northampton, Massachusetts. Ele diz de sua consagração: "Dediquei-me solenemente a Deus e o fiz por escrito, entregando a mim mesmo e tudo que me pertencia ao Senhor, para não ser mais meu em qualquer sentido, para não me comportar como quem tivesse direitos de forma alguma... travando, assim, uma batalha com o mundo, a carne e Satanás até o fim da vida". Ele se casou aos 24 anos, em 1728, com Sarah Pierrepont, filha de um pastor. Ela era uma mulher de rara intelectualidade, porém, como seu marido, totalmente devota à gloria de Deus, e a uma experiência de oração que a levava algumas vezes a quase falência física. Sempre acompanhava seu marido nos momentos de oração. Em seu momento devocional diário, ele ia de cavalo para um bosque, e caminhava sozinho, meditando. Ele anotava suas ideias em pedaços de papel e, para não perdê-los, os pendurava em seu casaco. Ao voltar para casa, era recebido por sua esposa, Sarah, que o ajudava a tirar suas notas. Eles tiveram onze filhos, todos cristãos, e sua vida familiar feliz foi um modelo para todos os que o visitaram. Após a morte do avô, cujo pastorado durou sessenta anos, ele assumiu a igreja, em 1729.
No período de 1734-1737, durante uma série de pregações sobre a justificação pela graça por meio da fé, começou um avivamento em sua congregação, que rapidamente se espalhou por Connecticut e New Jersey. Seus ouvintes sentiram as grandes verdades das Escrituras de que toda boca ficará fechada no dia do juízo e que "não há coisa alguma que, por um momento, evite que o pecador caia no inferno, senão o bel prazer de Deus". Em suas palavras, "o Espírito de Deus começou a trabalhar de maneira extraordinária. Muita gente estava correndo para receber Jesus. Esta cidade estava cheia de amor, cheia de alegria, e cheia de temor. Havia sinais notáveis da presença de Deus em quase cada casa". Edwards reconheceu que "mais de 300 almas foram salvas, trazidas para Cristo" em Northampton. Nesta época sua cidade tinha cerca de dois mil habitantes. "Não havia sequer uma pessoa na cidade, velha ou jovem que não estivesse interessada nas grandiosas coisas do mundo eterno (...). O trabalho de conversão era levado adiante da maneira mais surpreendente; as almas vinham, multidões delas, a Jesus Cristo". Nessa época ele escreveu uma obra intitulada Uma fiel narrativa da surpreendente obra de Deus, onde detalha como a conversão cristã ocorre.
Refletindo sobre o avivamento
Ao considerarmos seus escritos, temos um vislumbre de seus interesses e aptidões. Ele escreveu cerca de mil sermões, e seu alvo era levar os homens a entenderem, sentirem e responderem à verdade do evangelho. Seus sermões eram esboçados segundo o método puritano, que incluía a exposição do texto bíblico escolhido, apresentação da doutrina (que era apoiada por outros textos bíblicos) e aplicação às questões do dia-a-dia. Ele colocava sua erudição a serviço de uma clareza deliberadamente simples. Pecadores nas mãos de um Deus irado, pregado em Einfield, Connecticut, em 1741, baseado em Deuteronômio 32.35, é seu sermão mais famoso. Antes desse sermão, por três dias não se alimentara nem dormira; rogara a Deus sem cessar: "Dá-me a Nova Inglaterra!" O povo, ao entrar para o culto, se mostrava indiferente e mesmo desrespeitoso. Edwards iria pregar, e ao dirigir-se para o púlpito, alguém disse que tinha o semblante de quem estivera, por algum tempo, diante de Deus. Sem quaisquer gestos, encostado num braço sobre o púlpito, segurava o manuscrito numa mão, e o lia numa voz calma e penetrante. O resultado do sermão foi como se Deus arrancasse um véu dos olhos da multidão para contemplar a realidade e o horror em que estavam. Em certa altura do sermão, um homem correu para frente suplicando por oração, sendo interrompido pelos gemidos dos homens e mulheres; quase todos ficaram de pé ou prostrados no chão, alguns se agarrando às colunas da igreja, pensando que o juízo final havia chegado. Durante a noite inteira ouviu-se na cidade, em quase todas as casas, o clamor daqueles que, até àquela hora, confiavam em sua própria justiça.
O efeito foi duplo: "Primeiro,... eles abandonavam as suas práticas pecaminosas... Depois que o Espírito de Deus começou a ser derramado tão maravilhosamente de uma maneira geral sobre a vila, pessoas logo deixaram as suas velhas brigas, discussões, e interferências nos assuntos dos outros. A taverna logo foi deixada vazia, e as pessoas ficavam em casa; ninguém se afastava a não ser para negócios necessários ou por causa de algum motivo religioso, e todos os dias pareciam em muitos sentidos, como o dia de domingo. Segundo, eles começavam a aplicar os meios de salvação; leitura, oração, meditação, as ordenanças pessoais; seu clamor era, 'o que devo fazer para ser salvo?'" Na mesma época, entre 1739 e 1741, George Whitefield pregou em doze das treze colônias, e teve um papel central na continuação deste avivamento. Em 1740, chegou a pregar para multidões de até oito mil pessoas durante um mês, em quase todos os dias. Durante estes avivamentos entre 25.000 a 50.000 pessoas se converteram, entrando para as igrejas, sem contar os convertidos que já eram membros das igrejas – nessa época a população das treze colônias era de pouco mais de um milhão de pessoas. E Edwards se tornou um dos mais capazes instrumentos e defensores do avivamento.
Um sermão magistral é a exposição verso por verso de 1João 4, A verdadeira obra do Espírito, que ele pregou no Yale Collegeem 1741. Edwards sabia que problemas acompanham o avivamento, pois Satanás, o qual, segundo ele observou, foi "treinado no melhor seminário teológico do universo", segue a um passo de Deus, pervertendo ativamente e caricaturando tudo quanto o Criador está fazendo. Então, na primeira parte de seu sermão, ele passa a mostrar quais são os sinais que supostamente negam uma obra espiritual. Na segunda parte, então, ele demonstra os sinais bíblicos de uma obra do Espírito Santo. São elas: "Amor por Jesus, Filho de Deus e Salvador dos homens", "agir contra os interesses do reino de Satanás, que busca encorajar e firmar o pecado e fomentar as paixões mundanas nos homens", "profunda consideração pelas Sagradas Escrituras", revelação dos "caráteres opostos do Espírito de Deus e dos outros espíritos que falsificam suas obras" e "se o espírito que está em ação em meio a um povo opera como espírito de amor a Deus e ao homem, temos aí um sinal seguro de que este é o Espírito de Deus".
Seu interesse por temas teológicos se evidencia pela amplidão das suas obras, abordando quase todos os temas doutrinários, legando à cristandade um imenso acervo de livros. Às vezes ele tem sido considerado um teólogo-filósofo, por causa de alguns de seus escritos, mas jamais deixou que a filosofia lhe ensinasse a sua fé ou que o desviasse da Palavra de Deus. Ele extraía das Escrituras as suas convicções, e a verdadeira estatura dele deve ser aquilatada como um teólogo bíblico. Como disse J. I. Packer: "Por toda a sua vida, alimentou sua alma com a Bíblia; por toda a sua vida, alimentou seu rebanho com a Bíblia". Edwards é mais frequentemente estudado por causa da sua descrição agostiniana do pecado humano e da total suficiência da graça de Deus em Cristo por meio do Espírito. Mark Noll diz: "[Para Edwards,] a raiz da pecaminosidade humana era o antagonismo contra Deus; Deus era justificado ao condenar os pecadores que menosprezavam a obra de Cristo em favor deles; a conversão importava numa mudança radical do coração; o cristianismo verdadeiro envolvia não somente compreender algo de Deus e dos fatos das Escrituras, como também um novo 'senso' da beleza, santidade e verdade divinas. (...) Na mente de Edwards, as implicações para a conversão, que este conceito da natureza humana subentendia, ocupavam o lugar principal. Dizia que um pecador, por natureza, nunca escolheria glorificar a Deus, a não ser que o próprio Deus mudasse o caráter daquela pessoa ou – segundo a expressão do próprio Edwards – implantasse um novo 'senso do coração' para amar e servir a Deus. A regeneração, ato de Deus, era a base para o arrependimento e a conversão, que eram ações humanas". Ele cria que o Deus onipotente exigia arrependimento e fé das suas criaturas, então ele proclamava tanto a absoluta soberania de Deus quanto a responsabilidade dos homens em responder ao chamado evangelístico.
Ele também escreveu um livro clássico de psicologia da religião, o Tratado das Afeições Religiosas, de 1746, baseado em uma série de sermões em 1Pedro 1.8. Apesar de ter sido educado para ser lógico e racional, ele argumentava que a religião verdadeira reside no coração, no centro das afeições, emoções e inclinações. Ele detalhava de forma minuciosa os tipos de emoções religiosas que, em grande medida, são irrelevantes à espiritualidade verdadeira, terminando com uma descrição de doze marcas que indicam a presença da verdadeira espiritualidade cristã. Estas provêm de uma fonte divina e sobrenatural, o Espírito Santo, que irá gerar no fiel atração a Deus e seus caminhos por amor a ele, paixão pela beleza da santidade divina, novo conhecimento, convicção de que as verdades proclamadas pela fé cristã são concretas, humildade, regeneração, um espírito semelhante ao de Cristo, temor a Deus, equilíbrio entre as várias virtudes cristãs, anseio por Deus e comportamento guiado pela Escritura, em cumprimento à prática cristã. A análise cuidadosa de Edwards sobre a fé genuína enfatizava que não era a quantidade de emoções que indicava a presença da verdadeira espiritualidade, mas as origens de tais afeições em Deus, e a sua manifestação em obras que o glorifiquem. Como Beeke & Pederson escrevem, "esta tem sido, há muito, considerada por muitos historiadores como sua obra mais influente". Em 1749 ele publicou um livro de memórias intitulado A vida de David Brainerd, um evangelista que viveu durante um tempo com sua família e morreu em Northampton, em 1747. Ao elaborar seu ensino sobre a conversão, Edwards usou-o como um estudo de caso, pontuando extensas reflexões sobre a vida e o ministério de Brainerd.
Por causa da influência de seus escritos, ele é considerado o maior teólogo e filósofo surgido nos Estados Unidos. Lloyd-Jones, que devia muito aos escritos de Edwards, disse: "Eu sou tentado, talvez tolamente, a comparar os puritanos aos Alpes, Lutero e Calvino ao Himalaia e Jonathan Edwards ao Monte Everest". Ele dependia totalmente da graça de Deus, que dominava completamente sua peregrinação intelectual, sempre mantendo seu intelecto e estudos subordinados à Escritura.
O avivamento e as missões cristãs
Edwards também escreveu um livro intitulado Uma humilde tentativa de promover uma clara concordância e união visível do povo de Deus em extraordinária oração, pelo reavivamento da religião e o avanço do Reino de Cristo na terra (1748). Nesta obra ele faz um apelo: "muitas pessoas, em diferentes partes do mundo, por expressa concordância para se chegar a uma união visível em extraordinária,... fervente e constante oração, por aquelas grandes efusões do Espírito Santo, o qual trará o avanço da Igreja e do Reino de Cristo". Sua convicção era que "quando Deus tem algo muito grande a realizar por sua igreja, é de sua vontade que seja precedido pelas extraordinárias orações do seu povo". Neste tempo, a condição espiritual das igrejas batistas na Inglaterra era deplorável. John Sutcliff, pastor da igreja batista de Olney, Buckinghamshire, leu este livro, e propôs aos seus companheiros pastores na Associação Northampshire que separassem uma hora na primeira segunda-feira à noite de cada mês para orar para que "o Espírito Santo possa ser derramado em nossos ministérios e igrejas, para que os pecadores possam ser convertidos, os santos edificados, o interesse da religião revificado, e o nome de Deus glorificado". Um grande avivamento se seguiu a estas reuniões. A influência de Edwards sobre Sutcliff e seus amigos, que incluíam William Carey e Andrew Fuller, foi tal que este escreveu: "Alguns dizem que, 'se Sutcliff e alguns outros tivessem pregado mais de Cristo, e menos de Jonathan Edwards, eles teriam sido mais úteis'", replicando em seguida: "Se aqueles que falam assim, pregassem Cristo metade do que Edwards fazia, e fossem metade tão úteis como ele foi, sua utilidade seria o dobro do que ela é". Por causa da profunda impressão do livro de Edwards, estes homens fundaram a Sociedade Batista Particular para Propagação do Evangelho entre os Pagãos (que veio se tornar a Baptist Missionary Society), em 1792, sendo Fuller seu primeiro secretário.
Uma rica herança
Era costume de sua igreja conceder o privilégio a qualquer pessoa, mesmo sem ser membro da igreja, para participar da Ceia do Senhor. Por requerer uma base estrita para participar da Ceia foi demitido de sua igreja em 1750. Como Lloyd-Jones disse: "Essa foi uma das coisas mais espantosas que já aconteceu, e deve servir como uma palavra de encorajamento para os ministros e pregadores. Lá estava esse altaneiro gênio, esse poderoso pregador, esse homem que estava no centro do grande avivamento – e, todavia, foi derrotado na votação da sua igreja por 230 votos a 23. Não se surpreendam, portanto, irmãos, quanto ao que possa acontecer com vocês em suas igrejas". Então, ele foi ser missionário aos índios Mohawk e Housatonic, num posto na fronteira, em Stockbridge, Massachusetts. Foi lá que ele escreveu alguns de seus tratados teológicos mais importantes, tais como A liberdade da vontade, O pecado original, O fim da criação e A verdadeira virtude. Em 1757 aceitou a presidência do College of New Jersey, que atualmente é a Universidade de Princeton, em New Jersey, e, em 1758, ao receber uma vacina contra varíola, que estava sendo testada, ele morreu. Sua última obra, inacabada, foi Uma história da obra da redenção, uma obra ambiciosa, onde ele argumenta que toda a história, desde a criação até a consumação, é subserviente à obra de redenção de Cristo. Edwards e Sarah eram profundamente dedicados um ao outro, e entre suas últimas palavras, estavam algumas para sua esposa, que ainda estava em Stockbridge. Ele disse: "Dê o meu mais bondoso amor para minha esposa, e diga a ela, que a excepcional união, que tem subsistido entre nós por tanto tempo, tem sido de tal natureza, que eu creio ser espiritual, e, portanto, continuará para sempre". Pouco antes de falecer, ele disse: "Confiai em Deus, e não precisareis temer".
Há pelo menos duas aplicações que podemos destacar. Uma diz respeito à necessidade de avivamento, em nossa época. Nós devemos temer e combater os excessos que ocorrem nestes avivamentos (que mesmo em Atos aconteceram), mas não eles. Como Edwards disse: "Pode-se observar que, desde a queda do homem até os nossos dias, a obra de redenção, em seus feitos, tem sido realizada principalmente por extraordinárias comunicações do Espírito Santo".  As Escrituras nos exortam a ser cheios do Espírito (Ef 5.18), a provar os espíritos (1Jo 4.1) e a não extinguir o Espírito (1Ts 5.19). Edwards nos ensina que avivamentos, à semelhança dos dons, são dádivas de Deus (1Co 12.11), que não podem ser fabricadas ou manipuladas pelo homem, mas esperadas na misericórdia e soberania de Deus.
A pobreza da reflexão moderna sobre Deus é evidente. Somos uma geração que perdeu a consciência da beleza da glória do Senhor, quando comparada com aquilo que podemos aprender daquilo que Edwards compartilha conosco: "Deus é um Deus glorioso. Não há ninguém como Ele, que é infinito em glória e excelência. Ele é o Altíssimo Deus, glorioso em santidade, temível em louvores, que faz maravilhas. Seu nome é excelente em toda a terra, e sua glória está acima dos céus. Entre todos os deuses não há nenhum como Ele... Deus é a fonte de todo o bem e uma fonte inextinguível; ele é um Deus todo suficiente, capaz de proteger e defender... e fazer todas as coisas... Ele é o Rei da glória, o Senhor poderoso na batalha: uma rocha forte, e uma torre alta. Não há nenhum como o Deus ... que cavalga no céu...: o eterno Deus é um refúgio, e sob Ele estão braços eternos. Ele é um Deus que tem todas as coisas em suas mãos, e faz tudo aquilo que Lhe agrada: ele mata e faz viver; ele leva ao túmulo e ergue de lá; ele faz o pobre e o rico: os pilares da terra são do Senhor... Deus é um Deus infinitamente santo; não há nenhum santo como o Senhor. E Ele é infinitamente bom e misericordioso. Muitos outros adoram e servem como deuses, são seres cruéis, espíritos que procuram a ruína das almas; mas este é um Deus que se deleita na misericórdia; Sua graça é infinita, e permanece para sempre. Ele é o próprio amor, uma infinita fonte e um oceano dele".
Bibliografia:
Jonathan Edwards, A verdadeira obra do Espírito: sinais de autenticidade. São Paulo: Vida Nova, 1992.
Gerald R. McDermott, O Deus visível; doze sinais da verdadeira espiritualidade. São Paulo: Vida Nova, 1997.
D.M. Lloyd-Jones, Os puritanos; suas origens e sucessores. São Paulo: PES, 1993.
Michael A. G. Haykin, "Jonathan Edwards: seu legado" em Jornal Os Puritanos Ano 1, nº 3 (Agosto 1992), p. 11-14.
Michael A. G. Haykin, "Jonathan Edwards: seu legado (continuação)" em Jornal Os Puritanos Ano 1, nº 4 (Outubro 1992), p. 18-20.
George M. Mardsen, "Edwards e a revolução científico-tecnológica" em Jornal Os Puritanos Ano 1, nº 3 (Agosto 1992), p. 17-18.
Mark A. Noll, "Edwards, Jonathan" em Walter A. Elwell (ed.), Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã [vol. 2]. São Paulo: Nova Vida, 2009, p. 7-11.
J. I. Packer, Entre os gigantes de Deus; uma visão puritana da vida cristã. São José dos Campos: Fiel, 1996.
Joel R. Beeke & Randall J. Pederson, Paixão pela pureza; conheça os puritanos. São Paulo: PES, 2010.
John Piper, Supremacia de Deus na pregação; teologia, estratégia e espiritualidade do ministério de púlpito. São Paulo: Shedd, 2003.
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