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sábado, 8 de março de 2014

David Martyn Lloyd-Jones-Um Gladiador Contra a Mundanização da Igreja


David Martyn Lloyd-Jones (1899 -1981) foi um teólogo protestante de origem galesa que foi influente na ala reformada do movimento evangélico britânico no século 20. Por quase 30 anos, ele foi o ministro da Capela de Westminster, em Londres. Lloyd-Jones era um forte opositor da teologia liberal (igreja Emergente) que se tornou uma parte de muitas denominações cristãs, considerando-a como uma aberração. Ele discordou da abordagem ampla(no sentido de adaptar-se ao mundo) da Igreja e incentivou os cristãos evangélicos (especialmente anglicanos) a deixarem suas denominações existentes, considerando que a comunhão cristã verdadeira só é possível entre aqueles que partilharam convicções comuns sobre a natureza bíblica da fé. Lloyd-Jones é considerado um dos maiores pregadores protestantes do século XX.

Início
Lloyd-Jones nasceu em Cardiff e foi criado em Llangeitho, Ceredigion. Llangeitho está associado com o renascimento metodista galês, como era o local do ministério de Daniel Rowland. Frequentou uma escola de gramática Londrina entre 1914 e 1917 e, em seguida, o Hospital St. Bartholomew’s como um estudante de medicina. Em 1921 começou a trabalhar como assistente do médico da família real inglesa, Sir Thomas Horder. Ele vislumbrava um futuro brilhante e lucrativo como um destacado médico. Então, algo aconteceu. Lentamente, depois de uma profunda luta, sua mente e seu coração foram tomados pelo evangelho cristão. Ele compreendeu que muitos dos seus pacientes precisavam algo mais do que medicina comum e ele se entregou ao ministério cristão. Depois de lutar durante dois anos sobre se o que sentiu foi um chamado para pregar, em 1927, Lloyd-Jones voltou ao País de Gales, tendo casado com Bethan Phillips, aceitando um convite para ministrar em uma igreja em Aberavon (port talbot).
Capela de Westminster

Depois de uma década, ministrando em Aberavon, em 1939 ele voltou para Londres, onde tinha sido nomeado como pastor adjunto da Capela de Westminster, Londres, trabalhando ao lado de G. Campbell Morgan. O dia antes de ele ser oficializado para ser aceito em sua nova posição, estourou a II Guerra Mundial na Europa. No começo da guerra o Dr. Lloyd-Jones tinha se tornado presidente das Uniões Evangélicas de Comunhão Universitária e estava profundamente envolvido em aconselhar e guiar seu fundador e secretário geral, Dr. Douglas Johnson. Juntos reuniram-se com os líderes dos movimentos em outros países e formaram a Comunidade Internacional dos Estudantes Evangélicos (aqui no Brasil conhecida como ABU).  Em 1943, Morgan aposentou-se, deixando Jones como único Pastor da Capela de Westminster.

Lloyd-Jones era bem conhecido por seu estilo expositivo da pregação, e nas manhãs de domingo e nas reuniões à noite em que ele oficializava, atraiu multidões de pessoas, como fez nas sextas-feiras à noite nos estudos bíblicos, que eram, na verdade sermões. Em seu estilo, Lloyd-Jones levava meses, até anos, para expor um capítulo da Bíblia versículo por versículo. Seus sermões costumava ser em torno de cinqüenta minutos a uma hora de duração, atraindo muitos estudantes de universidades e faculdades em Londres. Seus sermões também eram transcritos e impressos (quase literalmente) no registro de Westminster semanais, o que foi lido avidamente por aqueles que apreciaram a sua pregação.

A Controvérsia Evangélica
Lloyd-Jones provocou grande controvérsia em 1966, quando na Assembléia Nacional de Evangélicos, organizada pela Aliança Evangélica, ele apelou a todos os pastores de convicção para deixar as denominações evangélicas que continha congregações liberais e neo-evangélicas. Essa afirmação causou um grande mau estar aos evangélicos dentro da Igreja da Inglaterra. Como uma figura significativa para muitas das igrejas de fora das grandes denominações, Lloyd-Jones tinha a esperança de incentivar os cristãos com profunda crença bíblica a se retirarem de todas as igrejas onde se apresentassem visões alternativas da bíblia.

No entanto, Lloyd-Jones foi criticada pelo líder evangélico anglicano John Stott. Embora Stott não fora programado para falar, ele usou sua posição como presidente da reunião e repreendeu publicamente Lloyd-Jones. Este conflito aberto entre os dois estadistas mais velhos da igreja evangélica britânica foi amplamente noticiado na imprensa cristã e causou polêmica considerável. No ano seguinte, foi realizado o primeiro Congresso Nacional Evangélico da Igreja Anglicana. Nesta conferência, em grande parte devido à influência de Stott, anglicanos evangélicos se comprometeram a plena participação na Igreja da Inglaterra, rejeitando a abordagem separacionista proposta por Lloyd-Jones. Essas duas conferências efetivamente criaram uma divisão na direção de grande parte da comunidade britânica evangélica. Sem dúvida, os dois grupos adotaram posições diametralmente opostas. Essas posições resultantes da cisão continuam praticamente inalteradas até hoje. [ O futuro iria provar que Lloyd-Jones estava correto. A igreja anglicana inexplicavelmente em 2008 pediu publicamente desculpas a Chales Darvin por reconhecer que ele estava correto, e aqui no Brasil participa da para-gay de São Paulo].

Lloyd-Jones se aposentou do seu ministério na Capela de Westminster, em 1968, na seqüência de uma operação. Ele falou de uma crença de que Deus lhe impediu de continuar a pregar sobre um texto da Carta aos Romanos que se refere a alegria do Espírito Santo, porque ele não conhecia suficientemente sobre a “alegria no Espírito Santo”, baseado em Romanos 14:17. No resto de sua vida, ele concentrou-se na edição de seus sermões para serem publicados, no aconselhamento a pastores, na resposta de várias cartas e em conferências. Talvez sua obra mais famosa é uma série de 14 volumes de comentários sobre a Epístola aos Romanos.

Apesar de passar a maior parte de sua vida vivendo e ministrando na Inglaterra, Lloyd-Jones estava orgulhoso de suas raízes do País de Gales. Que melhor expressa sua preocupação com seu país de origem através do seu apoio ao movimento evangélico do País de Gales. Ele era orador regular em suas conferências, pregando em Inglês e galês. Desde sua morte, o movimento tem publicado vários livros, em Inglês e galês, reunindo seleções de seus sermões e artigos.
Lloyd-Jones pregou pela última vez em 8 de Junho de 1980, na capela Batista de Barcombe. Depois de uma vida de trabalho, ele morreu tranqüilamente em seu sono em Ealing, em 1 de Março de 1981. Ele foi enterrado no Newcastle Emlyn, perto de Cardigan, no oeste do País de Gales.

Movimento Pentecostal
Martyn Lloyd-Jones tem muitos admiradores de diferentes denominações da Igreja Cristã de hoje em dia. Um aspecto muito discutido do seu legado é a sua relação com o movimento pentecostal. Respeitado por líderes de várias igrejas associadas a este movimento, embora não diretamente associado a eles, ele ensinou o batismo com o Espírito Santo como uma experiência distinta, além da conversão e regeneração do Espírito Santo. Parte do esforço de Lloyd-Jones para conscientizar os cristãos da necessidade do batismo com o Espírito Santo era devido à sua crença de que este garante um profundo amor de Deus para o cristão, e assim permite-lhe corajosamente testemunhar Cristo para um mundo incrédulo.

Pregação
Lloyd-Jones raramente concordou em pregar ao vivo pela televisão, (o número exato de vezes não é conhecido, mas provavelmente foi apenas uma ou duas vezes). Seu raciocínio por trás dessa decisão foi a de que este tipo de pregação era “controlada”, isto é, por questões de programação ela era limitada pelo tempo”. Jones afirmava que isso limitava  a liberdade do Espírito.” Em outras palavras, ele acreditava que o pregador deve ser livre para seguir a liderança do Espírito Santo sobre a duração do tempo em que ele está autorizado a pregar. Ele registrou que uma vez perguntou a um executivo de televisão que queria que ele pregasse na televisão, “O que aconteceria com os seus programas, se o Espírito Santo, de repente descesse sobre o pregador e o possuísse, o que aconteceria com o resto dos seus programas?”

Talvez o maior aspecto do legado de Lloyd-Jones tenha a ver com sua pregação. Lloyd-Jones foi um dos pregadores mais influentes do século XX. Muitos volumes dos seus sermões foram publicados pela Banner of Truth, bem como outras editoras. Em seu livro, Pregação e Pregadores (Zondervan, 1971), Lloyd-Jones descreve a sua opinião sobre a pregação, ou o que poderia ser chamado de sua doutrina de homilética. Neste livro, ele define a pregação como “Lógica em fogo.” O significado desta definição é demonstrada ao longo do livro, no qual ele descreve o seu estilo próprio de pregação que tinha desenvolvido durante seus muitos anos de ministério.

Seu estilo de pregação pode ser resumido como “lógica em fogo ‘por várias razões. Primeiro, ele acreditava que o uso da lógica era vital para o pregador. Mas seu ponto de vista da lógica não era a mesma que a do Iluminismo. É por isso que ele chamou de “lógica em fogo.” O fogo tem a ver com a atividade e o poder do Espírito Santo. Portanto, ele acreditava que a pregação deveria ser uma demonstração lógica da verdade de uma determinada passagem da Escritura com a ajuda, ou unção do Espírito Santo. Essa visão se manifesta na forma de seus sermõe. Jones acreditava que a verdadeira pregação sempre foira expositiva. Isso significa que ele acreditava que o principal objetivo do sermão era revelar e ampliar o ensino primário da passagem sob consideração. Uma vez que o ensino primário foi revelado, ele teria então logicamente que expandir esse tema, demonstrando que era uma doutrina bíblica, mostrando que era ensinado em outras passagens da Bíblia, e usando a lógica, a fim de demonstrar a sua utilidade prática como uma  necessidade para o ouvinte. Desenvolvendo esse tema, ele trabalhou em seu livro “Pregação e Pregadores”, exigindo cautela aos pregadores jovens contra o que ele considerava um perigo: O “comentário”, o estilo de pregação, bem como a tentativa de adaptações da bíblia ao tempo moderno.
Jones aplicava uma habilidosa diagnose clínica, analisando a perspectiva mundana, mostrando sua futilidade ao tratar do poder e da persistência do mal, e contrastando-a com a perspectiva cristã, sua lógica, seu realismo e seu poder. Ele tinha a habilidade de vestir sua análise clínica com uma linguagem viva e convincente, de tal maneira que ela ficava grudada na mente. Ele poderia falar duramente sobre as tolices do mundo e dar uma visão contrastante da sabedoria e do poder de Deus de uma tal maneira que provocava uma forte reação por parte da sua audiência. As pessoas se retiravam determinadas a nunca mais voltar; contudo, apesar de si mesmas, elas voltavam para os bancos no domingo seguinte até que, incapazes de continuar resistindo à mensagem, elas se tornavam cristãs.
A pregação de Lloyd-Jones se diferenciava por sua exposição no tom da bíblia em seu fogo próprio e pela paixão demonstrada em sua entrega a essa obra. Ele é assim conhecido como um pregador que continuou a tradição puritana da pregação experimental. A famosa citação sobre os efeitos da pregação Lloyd-Jones é dada pelo famoso teólogo e pregador J.I. Packer, que escreveu, “Nunca ouvi uma pregação como essa.” Ela me veio “com a força de choque elétrico, elevando para pelo menos um de seus ouvintes, mais de um sentido de Deus, do que qualquer outro homem que eu tenha ouvido”.

Lloyd-Jones também foi um ávido defensor da Biblioteca Evangélica de Londres.
Pouco depois de sua morte, um fundo de caridade chamado “Recordings Trust” foi  estabelecido para continuar o ministério de Lloyd-Jones, fazendo gravações de seus sermões e os disponibilizando. A organização tem atualmente 1.600 palestras disponíveis e também produz um programa semanal de rádio usando esse material. http://www.mlj.org.uk/mlj.nsf/INDEX?openform

Fonte: Adaptação das matérias, “Jornal Os Puritanos, Ano II – Número 2 – Abril/1993”,  via morgenismo.com e “Martyn Lloyd-Jones” do pt.wikipedia.org


quarta-feira, 2 de outubro de 2013

O PODER DO NOME DE JESUS


O PODER DO NOME DE JESUS CRISTO
"ATOS 3:1- 4:4"

Atos 3 e 4 enfatizam o nome do Senhor Jesus (At 3:6, 16; 4:7, 10, 12, 17, 18, 30). É evidente que um nome envolve muito mais do que uma forma de identificação. Pode implicar autoridade, reputação e poder. Quando alguém diz: "Use meu nome!", esperamos sinceramente que seja digno de ser usado. Se uma ordem é dada no nome do presidente da República ou do primeiro-ministro, os que a recebem são obrigados a obedecer.

Se eu tentasse dar ordens no lugar dessas autoridades (supondo que conseguisse fazer isso), ninguém prestaria muita atenção, pois meu nome não tem o respaldo de qualquer autoridade oficial. Mas o nome do Senhor Jesus tem toda autoridade, pois ele é o Filho de Deus (Mt 28:18).

Uma vez que seu nome "está acima de todo nome" (Fp 2:9-11), Jesus merece nossa adoração e obediência. A grande preocupação dos primeiros cristãos era que o nome de Jesus Cristo, o Filho de Deus, fosse glorificado, e os cristãos de hoje devem ter a mesma motivação. Ao estudar esta seção, convém observar que ela apresenta forte ênfase sobre os judeus.

Pedro dirigiu-se aos homens judeus (At 3:12) e os chamou de "filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais" (At 3:25). Fez referência aos patriarcas de Israel (At 3:13) e também aos profetas (At 3:18,21-25).

A expressão "tempos da restauração" (At 3:21) é, sem dúvida alguma, de caráter judaico e se refere ao rei- no messiânico prometido pelos profetas. Nestes capítulos, a mensagem continua sendo transmitida "primeiramente a vós outros [os judeus]" (At 3:26) e apresentada em termos judaicos. Há três estágios neste evento, e cada estágio revela algo maravilhoso sobre Jesus Cristo.

1.     ADMIRAÇÃO: JESUS, O MÉDICO (AT.3:1-10)

      Os cristãos ainda estavam ligados ao templo e às horas tradicionais de oração (SI 55:17; Dn 6:10; At 10:30). É importante lembrar que Atos 1 a 10 descreve uma transição de Israel para os gentios, do "cristianismo judaico" (ver At 21:20) para "um só corpo" constituído tanto de judeus quanto de gentios.

Só depois de vários anos os cristãos judeus compreenderam inteiramente o lugar dos gentios nos planos de Deus, e essa compreensão não se deu sem conflitos.

O contraste entre Atos 2 e 3 é interessante: Pedro, o pregador - Pedro o obreiro pessoal; multidões - um homem pobre; ministério que resultou em bênção - ministério que resultou em prisão e perseguição. Os acontecimentos em Atos 3 exemplificam a última frase de Atos 2:47 e mostram como o Senhor acrescentava membros a sua Igreja diariamente.

Apesar de o Espírito Santo não ser citado nesse capítulo, certamente atuava por meio dos apóstolos, realizando seu ministério de glorificação de Jesus Cristo (Jo 16:14). Pedro e João são vistos juntos com frequência ao longo das Escrituras.

 Eram sócios no negócio de pesca (Lc 5:10); prepararam a última Páscoa dos judeus para Jesus (Lc 22:8); correram para o sepulcro na manhã do primeiro domingo de Páscoa (Jo 20:3, 4); e ministraram aos samaritanos que creram em Jesus Cristo (At 8:14). Uma vez que viviam na plenitude do Espírito Santo, os discípulos deixaram de competir por grandeza e, finalmente, passaram a trabalhar juntos com afinco para edificar a Igreja (SI 133).

O fato de Pedro notar esse mendigo coxo é outra evidência do ministério do Espírito. Sem dúvida, milhares de pessoas encontravam-se aglomeradas perto do templo (At 4:4) e, no meio dessa multidão, havia ATOS 3:1 - 4:4 Inúmeros mendigos, mas o Senhor ordenou a Pedro que curasse um mendigo coxo que se encontrava junto à Porta Formosa.

Havia nove portas que davam acesso ao pátio dos gentios e ao templo propriamente dito. Os estudiosos não apresentam um consenso, mas é provável que a Porta Formosa fosse a "Porta Oriental" que dava acesso ao pátio das mulheres. A porta era feita de bronze de Corinto e parecia de ouro; sem dúvida, um excelente lugar para um homem coxo pedir esmolas.

A prática de dar esmolas era parte importante da fé judaica, e as cercanias do templo eram uma região lucrativa para os mendigos. Uma vez que os recursos dos cristãos eram comunitários (At 2:44, 45), os dois apóstolos não tinham dinheiro para dar; mas a maior necessidade daquele homem não era financeira.

Precisava de salvação para sua alma e de cura para o corpo, e dinheiro não lhe daria nem uma coisa nem outra. Pelo poder do nome de Jesus, o mendigo foi completamente curado e ficou tão contente e entusiasmado que parecia uma criança, saltando de um lado para o outro e louvando a Deus.

É fácil ver nesse homem uma ilustração da salvação. Ele nasceu coxo; todos nós nascemos sem poder andar de maneira agradável a Deus. Adão, nosso antepassado, caiu e passou sua deficiência adiante para todos os seus descendentes (Rm 5:12- 21).

 O homem era pobre; como pecadores, estamos falidos diante de Deus, incapazes de pagar a dívida tremenda que temos com ele (Lc 7:36-50). Estava "fora do templo"; por mais perto da porta que fiquem, todos os pecadores encontram-se longe de Deus. a homem foi curado totalmente pela graça de Deus. Sua cura foi imediata (Ef 2:8, 9).

Deu provas do que Deus havia feito: de um salto se pôs em pé, passou a andar [...] saltando e louvando a Deus" (At 3:8). Identificou-se publicamente com os apóstolos, tanto quando foram ao templo (At 3:11) quanto na ocasião em que foram presos (At 4:14). Ao ser capaz de andar, não deixou dúvidas sobre de que lado estava!

2.     ACUSAÇÃO: JESUS, O filho DE DEUS (AT 3:11-16)

A cura do mendigo coxo fez a multidão ajuntar-se ao redor dos três. O Pórtico de Salomão, do lado leste do templo, era um corredor onde Jesus havia ministrado ( jo 10:23) e onde a igreja reunia-se para adorar (At 5:12). Em seu sermão de Pentecostes, Pedro refutara a acusação de que os cristãos estivessem embriagados.

Neste sermão, teve de refutar a ideia de que ele e João haviam curado o homem com o próprio poder (Paulo e Barnabé enfrentaram uma situação semelhante depois de curarem um coxo; ver Atos 14:8-18). Pedro esclareceu de imediato a fonte do milagre: Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Com toda sabedoria, o apóstolo afirmou que Aquele era o Deus de seus pais, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Sem dúvida, o Espírito encheu Pedro de ousadia de modo que ele lembrasse os judeus da forma como haviam tratado Jesus. Eles o haviam negado e entregado para ser crucificado.

Além disso, pediram que Barrabás, um homem culpado, fosse solto para que Jesus, um prisioneiro inocente, fosse crucificado! A fim de convencê-los de seus crimes, Pedro usou vários nomes e títulos diferentes para o Senhor: Filho de Deus, Jesus, o Santo, o Justo, o Autor da vida. Os judeus não haviam entregue um homem qualquer para ser crucificado pelos romanos! O Calvário pode ter sido a última palavra do ser humano, mas o sepulcro vazio foi a última palavra de Deus. Ele glorificou seu Filho ressuscitando-o dentre os mortos e levando-o de volta ao céu.

O Cristo entronizado havia enviado seu Espírito Santo e operava no mundo por meio da Igreja. O mendigo curado era prova de que Jesus estava vivo. Se havia um povo culpado, era aquele ao qual Pedro se dirigiu no templo. Eram culpados de matar o próprio Messias! Hoje em dia, é bem provável que ninguém fizesse uma mensagem desse tipo em uma reunião evangelística, pois essas palavras eram voltadas especificamente ao público judeu de Pedro.

Assim como em Pentecostes, Pedro falava a pessoas que ATOS 3:1 - 4:4 conheciam as Escrituras e que estavam a par dos últimos acontecimentos em Jerusalém (ver Lc 24:18). Não era um grupo de pagãos ignorantes sem qualquer conhecimento religioso.

Além disso, os líderes judeus haviam, de fato, cometido uma grande injustiça ao prender e condenar Jesus e pedir a Pilatos que o crucificasse. Não sabemos quantos cidadãos concordaram com essa decisão, mas podemos imaginar o remorso do povo ao descobrir que haviam traído e assassina- do o próprio Messias. Antes de o pecador experimentar a conversão, precisa ser convencido da culpa de seus pecados.

A menos que um paciente esteja convencido de que está enfermo, jamais aceitará qualquer diagnóstico nem fará qualquer tratamento. Pedro transformou o templo em um tribunal e apresentou ao público todas as provas. De que maneira dois simples pescadores poderiam realizar tamanho milagre senão pelo poder de Deus? Ninguém ousaria negar o milagre, pois o mendigo estava lá, diante de todos, em "saúde perfeita" (At 3:16; 4:14). Se aceitassem o milagre, teriam de reconhecer que Jesus Cristo é, verdadeiramente, o Filho de Deus e que seu nome tem poder.
 
 
Naquele que tem todo poder...
Em Cristo Jesus
Kleber Santos
Comentário Bíblico Expositivo -
Novo Testamento Volume I -
 WARREN W. WIERSBE
Editora Geográfica
 

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O NASCIMENTO DO REI - MATEUS CAP.1


O NASCIMENTO DO REI

MATEUS CAPITULO 1

Se um homem aparece de repente dizendo ser rei, a primeira coisa que as pessoas querem ver são as provas. De onde vem? Quem são seus súditos? Quais são suas credenciais? Prevendo essas perguntas importantes, Mateus começa seu livro com um relato detalhado do nascimento de Jesus Cristo e dos acontecimentos subsequentes. Ele apresenta quatro fatos sobre o Rei.

A LINHAGEM DO REI (MT 1:1-25)

Uma vez que a realeza depende da linhagem, era importante determinar o direito de Jesus ao trono de Davi. Mateus apresenta a linhagem humana de Jesus (Mt 1:1-17) bem como a divina (Mt 1:18-25).

A linhagem humana (vv. 1-17). Os judeus davam grande importância às genealogias, pois, sem elas, não podiam provar que faziam parte de determinada tribo nem quem possuía direito de herança. Qualquer um que afirmasse ser "filho de Davi" deveria ser capaz de provar tal asserção.

Costuma-se concluir que Mateus apresenta a genealogia de Jesus pelo seu padrasto, José, enquanto Lucas fornece a linhagem de Maria (Lc 3:23ss). Muitos leitores pulam essa lista de nomes antigos (e, em alguns casos, impronunciáveis). Mas essa "lista de nome" é essencial para o registro do Evangelho, pois mostra que Jesus Cristo faz parte da história. Mostra também que toda a história de Israel preparou o cenário para seu nascimento. Em sua providência, Deus governou e prevaleceu sobre os acontecimentos históricos, a fim de realizar seu grande propósito de trazer seu Filho ao mundo.

Essa genealogia também ilustra a maravilhosa graça de Deus. É muito raro encontrar nomes de mulheres em genealogias judaicas, pois os nomes e heranças eram passados para os homens.

No entanto, encontramos nessa lista referências a quatro mulheres do Antigo Testamento: Tamar (Mt 1:3), Raabe e Rute (Mt 1:5), e Bate-Seba, "a que fora mulher de Urias" (Mt 1:6). Fica claro que Mateus deixa alguns nomes de fora dessa genealogia.

É provável que tenha feito isso a fim de apresentar um sumário sistemático de três períodos na história de Israel, cada um com catorze gerações. O valor numérico das letras em hebraico para "Davi" é igual a catorze. Talvez Mateus tenha usado essa abordagem a fim de ajudar seus leitores a memorizar essa lista complicada.

Muitos judeus eram descendentes do rei Davi. Seria preciso mais do que um certificado de linhagem para provar que Jesus Cristo era "filho de Davi" e herdeiro do trono de Davi. Daí a grande importância de sua linhagem divina.

A linhagem divina (vv. 18-25). Mateus 1:16 e 18 deixam claro que o nascimento de Jesus Cristo foi diferente daquele de qual- quer outro menino judeu mencionado na genealogia.

Mateus ressalta que José não "gerou" Jesus Cristo. Antes, José foi "marido de Maria, da qual nasceu Jesus, que se chama o Cristo". Jesus nasceu de uma mãe terrena, sem a necessidade de um pai terreno. Esse fato é chamado de doutrina do nascimento virginal.

Cada criança que nasce é uma criatura totalmente nova. Mas Jesus Cristo, sendo o Deus eterno (Jo 1:1,14), existia antes de Maria, de José ou de qualquer outro de seus antepassados.

Se Jesus Cristo tivesse sido concebido da mesma forma que qualquer outra criança, não poderia ser Deus. Era necessário que viesse ao mundo por meio de uma mãe terrena, mas sem ser gerado por um pai terreno. Assim, por um milagre do Espírito Santo, Jesus foi concebido no ventre de Maria, uma virgem (Lc 1:26-38).

Há quem questione se, de fato, Maria era virgem, dizendo que "virgem", em Mateus 1:23, deve ser traduzido por "moça". Porém, a palavra traduzida por virgem nesse versículo tem sempre esse significado e não permite qualquer outra tradução, nem mesmo "moça". Tanto Maria quanto José pertenciam à casa de Davi.

As profecias do Antigo Testamento afirmavam que o Messias nasceria de uma mulher (Gn 3:15), da descendência de Abraão (Gn 22:18), pela tribo de Judá (Gn 49:10) e da família de Davi (2 Sm 7:12, 13).

A genealogia de Mateus acompanha a linhagem através de Salomão, enquanto Lucas acompanha sua linhagem através de Natã, outro filho de Davi. É interessante observar que Jesus Cristo é o único judeu vivo que pode provar seu direito ao trono de Davi! Todos os outros registros foram destruídos quando os Romanos tomaram Jerusalém em 70 d.C.

 Para o povo judeu daquela época, o noivado equivalia ao casamento - exceto pelo fato de que o homem e a mulher não coabitavam. Os noivos eram chamados de "marido e esposa", e, ao fim do período de noivado, o casamento era consumado.

Se uma mulher que estava noiva ficava grávida, isso era considerado adultério (ver Dt 22:13- 21). Porém, José não pediu nenhuma punição nem o divórcio quando descobriu que Maria estava grávida, pois o Senhor havia lhe revelado a verdade. Todas essas coisas cumpriram Isaías 7:14. Antes de terminar nosso estudo desta seção importante, devemos considerar três nomes dados ao Filho de Deus.

O nome Jesus significa "Salvador" e vem do hebraico Josué ("Jeová é salvação"). Havia muitos meninos judeus chamados Josué (ou, no grego, Jesus), mas o filho de Maria chamava-se "Jesus o Cristo". O termo Cristo quer dizer "ungido" e é o equivalente grego da designação Messias.

Ele é "Jesus o Messias". Jesus é o seu nome humano; Cristo (Messias) é o seu título oficial; e Emanuel descreve quem ele é - "Deus conosco". Jesus Cristo é Deus l Encontramos a designação "Emanuel" em Isaías 7:14 e 8:8. Assim, o Rei era um homem judeu e também o Filho de Deus. Mas será que alguém reconheceu sua realeza? Sim, os magos que vieram do Oriente e o adoraram.

 

Naquele que nasceu, morreu e ressuscitou por mim e por você ; Cristo Jesus ,O Rei dos reis!

Kleber Santos

Comentário Bíblico Expositivo - Novo Testamento Volume I - WARREN W. WIERSBE

Editora Geográfica

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os dons espirituais,dádivas de Deus à igreja


Os dons espirituais,dádivas de Deus à igreja


Os dons espirituais são uma dádiva de Deus à sua igreja. Dádivas do Pai (1Co 12.6), dádivas do Filho (1Co 12.5) e dádivas do Espírito Santo (1Co 12.7). Os dons espirituais são uma capacitação especial para o desempenho de um serviço ou ministério. Não há nenhum membro do corpo de Cristo sem dons e nenhum membro do corpo possui todos os dons. Os dons espirituais não são distribuídos pela igreja, mas pelo Espírito Santo, conforme sua vontade e seus propósitos soberanos (1Co 12.11). O apóstolo Paulo usou quatro verbos-chaves que ilustram a soberania de Deus na distribuição dos dons espirituais. O Espírito Santo distribui (1Co 12.11), Deus dispõe (1Co 12.18), Deus coordena (1Co 12.24) e Deus estabelece (1Co 12.28). Do começo ao fim Deus está no controle. É Deus quem estabelece o corpo e quem coloca cada membro do corpo e distribui cada dom a cada pessoa conforme o seu propósito e soberana vontade. Do começo ao fim Deus está no controle. É isso que Paulo ensina à igreja. O propósito dos dons, portanto, não é para a exaltação de quem o exerce, mas para o serviço aos demais membros do corpo e tudo para a glória de Deus.

Quando Paulo fala da mutualidade do corpo, exorta a igreja sobre quatro questões importantes:

Em primeiro lugar, o perigo do complexo da inferioridade. Paulo escreve: “Se disser o pé: porque não sou mão, não sou do corpo; nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: Porque não sou olho, não sou do corpo; nem por isso deixa de o ser” (1Co 12.15,16). Quando alguém reclama de não ter este ou aquele dom espiritual, está questionando a sabedoria de Deus. Isso é questionar a unidade do corpo. Nenhum membro da igreja deve se comparar nem se contrastar com outro membro da igreja. Você é único. Você é singular no corpo. Deus colocou você no corpo como lhe aprouve.

Em segundo lugar, o perigo do complexo de superioridade. O apóstolo Paulo afirma: “Não podem os olhos dizer à mão: Não precisamos de ti; nem ainda a cabeça, aos pés: Não preciso de vós. Pelo contrário, os membros do corpo que parecem ser mais fracos são necessários” (1Co 12.21,22). A igreja de Deus não tem espaço para disputa de prestígio. A igreja não é uma feira de vaidades. Nenhum membro da igreja pode envaidecer-se pelos dons que recebeu, pois tudo que temos, recebemos de Deus e ninguém pode vangloriar-se por aquilo que recebeu (1Co 4.7).

Em terceiro lugar, a necessidade da mútua cooperação. Paulo ainda prossegue em seu argumento: “Para que não haja divisão no corpo; pelo contrário, cooperem os membros, com igual cuidado, em favor uns dos outros” (1Co 12.25). A igreja é como uma família. Na igreja cada um está buscando meios e formas de cooperar, de ajudar, de abençoar, de enlevar, de edificar a todos. O propósito do dom é para que não haja divisão no corpo. Você não está competindo nem disputando com ninguém na igreja, mas cooperando.

Em quarto lugar, a necessidade de empatia na alegria e na tristeza. Paulo escreve: “De maneira que, se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam” (1 Co 12.26). A psicologia revela que é mais fácil chorar com os que choram do que se alegrar com os que se alegram. São poucas as pessoas que têm a capacidade de celebrar a vitória do outro. Precisamos aprender a ter empatia, a sofrer com os que sofrem e a nos alegrarmos com os que se alegram. Não estamos num campeonato dentro da igreja disputando quem é o mais talentoso, o mais dotado, o mais espiritual. Somos uma família, somos um corpo. Devemos celebrar as vitórias uns dos outros e chorar as tristezas uns dos outros.

 

Por:Hernandes Dias Lope

Palavra da Verdade